Festa Brava

Recordemos  as origens helénicas da Festa e que o ribatejano se orgulha de perpetuar semelhante mestria e valentia ancestral. Para depois, com as caravelas quinhentistas – construídas com madeira saída do Pinhal da Azambuja – ter transmitido a sua arte tauromáquica a povos sul-americanos e asiáticos.

Se for ao campo e se assistir a uma ferra – contemplado já o pastoreio do gado nas “lezírias” de águas salobras, ou na “charneca”, de ambiental riqueza vegetativa como o sobreiro – então, sim, entenderá a paixão do ribatejano na prática da sua arte maior. Mais: hoje considera-se que este ambiente agro-florestal é propício ao “habitat” de aves em risco de extinção, de tal modo se encontra preservado o meio ecológico onde o touro e o cavalo se criam.

Uma volta pelo campo – e a indispensável visita às ganadarias – não dispensa a verdadeira festa nas praças de touros que os filhos de Almeirim, Azambuja, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos e Santarém ergueram como verdadeiras “catedrais”. Algumas de riquíssimo valor artístico, no campo da azulejaria.

Festa Brava, que alia o touro ao cavalo, lado a lado com a bravura e a arte do toureiro e do Este forcado. No campo, hoje, esmiuça-se a figura do campino, mas, sempre se perpetua a coloração do seu traje, de jaqueta vermelha e barrete verde, debruado a vermelho. As cores nacionais.

Em contrapartida, disseminaram-se cada vez mais as coudelarias por toda a região. Anos a fio, a cuidar do cavalo e da égua, para apenas uma hora de brilhante exibição, frente a milhares de aficcionados que aplaudem, no seu essencial, a audácia e destreza de homens do Ribatejo.

Published in: on 30 de Março de 2011 at 20:33  Deixe um comentário  

O Azulejo Ribatejano

Um património azulejar de extrema riqueza, com cinco séculos de História, espera por si na mais recôndita igrejinha das terras da Charneca ou num simples coreto, dando vida às pequenas aldeias das Serras D’Aire e Candeeiros.

O azulejo está presente na vivência do dia a dia, quando se espera pelo comboio numa estação de caminho de ferro ou tão somente quando nos dirigimos ao mercado municipal scalabitano.
Abarcando todas as épocas da produção azulejar, desde as mais antigas presenças da cerâmica árabe, via Sevilha, chegamos ao último século do milénio com as composições decorativas que revestem as fachadas urbanas e traduzem a simbologia das lojas tradicionais.

Isto é Ribatejo! Espaços e campos onde a luz – que se muda de Norte para o Sul do país – se reflecte muito mais no azulejo. Proporcionando vida, animação e cor mais cintilante ao revestimento no interior das igrejas ou alma e carácter ao exterior de edifícios citadinos, onde partilhamos a cerâmica e azulejaria no nosso quotidiano.

Ribatejo para se percorrer, aldeia a aldeia, palmilhar, cidade a cidade, e deixarmos passar o tempo, sem pressas. Eis-nos, então, diante de lindos painéis de azulejos – pintura popular ou de mestres – que embelezam a atmosfera da província.

Published in: on 30 de Março de 2011 at 20:27  Deixe um comentário  

Pão Ribatejano

O Saloio Ribatejano

O Ribatejo afirma-se, na sua quase plenitude, com pão de trigo à mesa. Tal não invalida a existência de várias padarias que fabricam pão de milho, indispensável para a confecção de um prato caracteristicamente regional: o magusto – mistura de pão de milho, de trigo e de couve, que acompanha o bacalhau assado.

O pão de trigo ribatejano, de farinha ligeiramente escura (obtida por processo rudimentar em moinhos de vento ou azenhas), era produzido através de massa muito macia, com mais de 85% de água, por ser feito pelas donas de casa que tinham de molhar frequentemente as mãos para a massa não se agarrar e a deixavam consequentemente muito mole. Este pão chegou aos nossos dias através de padarias da Borda de Água ribatejana, no formato de “Saloio Ribatejano”.

Quando Salazar não deixou aumentar o preço do “pão político”, foi necessário fabricar um pão de menor peso, vendido ao mesmo preço do de meio ou de um quilo. Enganava-se o cliente, mas tornava-se mais viável o negócio do pão. O pão ribatejano tem actualmente 400 ou 800 gramas. Antes de entrar no forno é cortado a meio com uma tesoura de alfaiate. No forno seco (sem vapor, sem “banho”), com o lar muito quente, a massa do corte sai para fora fazendo “bolha” à massa vinda do interior e criando um miolo muito resistente.

 

 

A Caralhota de Almeirim

Para quem não sabe o que é uma caralhota, é um pão caseiro, idêntico à merendeira, muito guloso e saboroso. Deixa água na boca quando acompanhado com sopa de pedra, com uma bifana ou simplesmente com um pequeno pedaço de manteiga.

O nome desta iguaria vem de tempos passados, “culpa” da tradição popular. Antigamente, em Almerim, os populares chamavam caralhotas aos borbotos da lã. Nessa altura, em quase todas as casas existia um forno e cozia-se o pão. Quando se tirava a massa, para depois ir para o forno, no fundo do alguidar ficavam bocadinhos de massa, idênticos a borbotos de lã. A essas pequenas bolas os populares chamavam de caralhotas. Daí vem o nome actual do pão que pode saborear nos restaurantes de Almeirim.

Published in: on 30 de Março de 2011 at 20:22  Deixe um comentário  

O Tomate e o Arroz Ribatejanos

O tomate é de longe o produto hortícola de maior importância no Ribatejo. Grande e importante labor é também o de orizicultura: vastos campos de arroz alternam com o tomate nas margens dos principais rios afluentes no Tejo: do Sorraia, a Este, aos campos da Azambuja, a Oeste.

 

Tomate Ribatejano

A produção de concentrado de tomate em Portugal tem a sua origem em 1939. Os primeiros esforços foram feitos no Vale do Tejo, em muito pequena escala, utilizando os excedentes de tomate para fresco.
Nos últimos três anos, Portugal processou uma média de 903 000 toneladas/ano, que representa cerca de 11,5%, 8,5% e 3,7% respectivamente da produção europeia, mediterrânea e mundial.

As searas são cultivadas nos solos ricos de aluvião, a maioria deles localizados nas margens do rio Tejo e um pouco ao longo do rio Sorraia. O clima ribatejano é ideal para a produção de frutos de boa qualidade, com verões secos e chuvas só em algumas primaveras.

Sendo o Ribatejo o coração da produção do tomate em Portugal, o resultado só pode ser um produto de alta qualidade consumido em fresco ou transformado pela indústria. A paixão e o controle da cultura, desde a semente ao produto acabado, é a grande mais valia do tomate produzido na Região do Ribatejo.

 

 

Arroz Ribatejano

Em Portugal consome-se dois tipos comerciais de arroz: “Carolino” e “Agulha”. Pelas suas características, o arroz “Carolino” apresenta a vantagem em relação ao arroz “Agulha”, já que absorve os paladares de ingredientes ou alimentos com os quais é cozinhado, tornando-se desta forma o tipo de arroz ideal para confeccionar pratos tipicamente portugueses, tais como o arroz de marisco, arroz de feijão, arroz de grelos, arroz de pato, arroz de cabidela, arroz de serrabulho, etc.

Published in: on 30 de Março de 2011 at 20:18  Deixe um comentário  

Melão de Almerim

Embora tenha a designação de “Melão de Almeirim”, este maravilhoso fruto é cultivado e produzido na sua maioria pelos seareiros de melão de Alpiarça que se deslocam há décadas para os campos do Vale do Tejo.

 

 

Published in: on 30 de Março de 2011 at 20:12  Deixe um comentário  

ARTESANATO

Ao unir as características naturais da Lezíria – o Tejo, com a simplicidade vegetal para a cestaria – às grandes actividades agrícolas – o vinho, com as madeiras para a tanoaria – temos uma perfeita união entre natureza e homem. Na Lezíria do Tejo descobrimos a ruralidade em matéria de cestaria, mobílias de verga produzidas em aldeias da “charneca” e ainda os célebres bordados da Glória do Ribatejo, em Salvaterra de Magos. A olaria e o ferro são comuns a Santarém, Coruche, Golegã e Chamusca. Há que visitar centros de compra de artesanato como o da Chamusca, independentemente da frequência de feiras e mercados. A vivência da arte de cavalgar associa-se na Golegã e em Coruche aos trabalhos em pele e couro, para não falar em mestres alfaiates para a arte do toureio.

 

Published in: on 30 de Março de 2011 at 20:08  Deixe um comentário  
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